
Um amor de infância é sempre difícil de esquecer. Carlos Mota era ainda criança quando conheceu esta casa na Ribeira Grande. Foi aqui que pas-sou férias com a família e a ligação ao Lugar das Caldeiras foi crescendo. Quando teve oportunidade, comprou o edifício de 1879 e dedicou-se a reestruturá-lo.
“Este foi um projecto de vida dado a mim próprio”, conta o arquitecto de interiores. O primeiro passo foi tornar o espaço mais funcional por dentro e ao mesmo tempo integrá-lo no espaço envolvente e tirar o melhor partido dele. Em conjunto com o arquitecto Luís Francisco Gomes de Menezes, Carlos modificou o esqueleto interno da casa e ampliou-a. Não manteve a traça original, antes criou um contraste entre a parte antiga e a nova, uma com a aura romântica de uma casa de campo, a outra com um charme industrial. A casa tem agora salas de leitura, de estar e de jantar, cozinha e dois quartos, num total de 250 metros quadrados.
Mas o proprietário teve o cuidado de manter as raízes do passado também no interior. “A pedra era a feitura principal da construção da época, por isso preservei-a ao máximo, impondo uma modernidade”, explica. À história das paredes acrescenta-se uma história natural que Carlos quis deixar intocada. Além do verde acidentado do terreno, o edifício é abraçado por um enorme rochedo a apenas 1,20 metros. Esta “escultura natural” emprestou o tom cinzento à casa.






















