Carolina Herrera

Carolina Herrera

Todos a conhecem. É indiscutivelmente uma das maiores estilistas mundiais. Poucos, no entanto, a conhecem como pessoa. Para a Máxima desvendou um pouco do seu mundo.

Onde nasceu? Fale-nos das suas memórias de infância. Da casa, da família, dos amigos, das paisagens, dos locais secretos…

Nasci em Caracas, uma cidade que adoro e à qual volto sempre que posso. Cresci entre flores de laranjeira que existiam no jardim próximo do meu quarto; recordo-me de passear com a minha mãe; do cheiro do jasmim; do meu pai a ensinar-me a montar a cavalo… Tantas recordações que se torna difícil enumerar apenas algumas.

Os estudos. A adolescência. O relacionamento com o mundo que a rodeava. O que era ser feliz nessa época?

Para mim, ser feliz, naquela altura e agora, significa estar com a minha família, assistir ao crescimento das minhas filhas e agora ao dos meus netos e desfrutar do que faço.

Diana Vreeland, editora da Vogue USA, afirmava: “Carolina é uma mulher rigorosa. Quando diz que fará algo, há que acreditar nela. É uma mulher decidida e cumpre sempre o que promete.” Dizem que herdou a disciplina e o rigor da sua mãe…

A minha mãe dizia-me sempre que devia desfrutar de tudo o que fizesse, por isso, o melhor era confiar e acreditar em mim mesma.

O casamento com Mr. Reinaldo, as filhas, a partida de Caracas para Nova Iorque, em 1981... Como se adaptou à vida nova-iorquina?

A minha mãe dizia-me que havia um momento e um lugar para cada coisa. Como tinha a minha família e as minhas filhas ao meu lado, não foi tão duro. A adaptação a outra cultura foi uma experiência nova e gratificante.

Filosofia de vida?

Desfrutar do que se faz, com muita energia e motivação.

Conciliar trabalho, família, amigos… Uma tarefa, por certo, nem sempre fácil…

A minha família sempre esteve e estará em primeiro lugar. Sem o seu apoio, nunca poderia ter-me dedicado à moda. E, claro, sempre há tempo para os amigos.

A sua imagem é a de uma mulher tranquila, feliz. Acredita que a beleza se constrói de dentro para fora?

A beleza reside em nós mesmos, é importante que uma mulher acredite que é bela, pois ao fazê-lo por dentro, isso ver-se-á por fora.

Quais os seus hobbies preferidos?

Estar com o meu marido, com as minhas filhas e com os meus netos. Além disso, adoro ler e dar longos passeios com o meu marido, com os meus cães ou sozinha.

Os cuidados cosméticos e o desporto são seus aliados para se manter em forma?

Creio que se uma mulher souber cuidar-se, o desporto não é algo imprescindível, no entanto, pode ajudar.

A Casa Carolina Herrera é um símbolo de classicismo, requinte, elegância. Como a foi desenvolvendo ao longo destas quase três décadas? Conciliar arte, marketing, gestão financeira nem sempre é fácil…

O segredo é rodearmo-nos de profissionais fantásticos e de equipas fortes. Trabalhar em equipa é a chave do êxito.

O que a levou à criação do seu primeiro perfume, o Carolina Herrera? Conte-nos um pouco dessa aventura olfactiva, que é sem dúvida um marco forte na Casa. Sabemos que, em parte, resultou de um encontro com Mariano Puig…

De facto, aconteceu durante uma conversa com Mariano Puig, quando me perguntou qual a fragrância que eu estava a usar. Tratava-se de uma mistura que eu própria havia feito e surgiu então a ideia de criar aquele que é hoje o perfume símbolo da marca.

Cada uma das suas criações olfactivas está ligada a algum acontecimento ou são construídas a partir de uma história em que o marketing tem papel fundamental?

Primeiro, há que ter ideias muito claras daquilo que queremos transmitir, depois, há que saber convertê-las numa essência e, por fim, fazer com que o produto seja atractivo.

Poderemos dizer que cada perfume tem uma identidade, uma vida própria?

Claro que sim! Cada fragrância tem a sua própria história, contada através das notas olfactivas, da imagem, do frasco…

O que é para si o perfume? Sabemos que conhece a arte de combinar óleos essenciais… Tem qualidades de nez?

Para mim, um perfume é o acessório invisível mais importante de uma mulher! Já desde pequena, sempre gostei de fazer as minhas próprias misturas e depois usá-las para ver como reagiam as pessoas à minha volta. 

Perfumes, sedução, feminilidade, despertar de emoções, autoconfiança. Para si estas palavras casam-se? De que forma? Pode dar-nos pistas sobre o mundo dos aromas?

Uma fragrância deve transmitir, através da pessoa que a usa, um mundo de sensações, recordações, novas experiências. Dependendo dos ingredientes, fará com que a pessoa se sinta de uma ou outra maneira: plena de energia, sexy, amada, atraente...

A sua filha Carolina tem desde 2001 um papel fundamental na criação das fragrâncias Carolina Herrera. Como é trabalhar com ela? Relação de amigas? Cumplicidade?

A Carolina começou a trabalhar comigo quando surgiu a ideia de criar uma nova fragrância, que fosse muito urbana. Procurávamos ideias de alguém jovem, que não tivesse nada que ver com o mundo das fragrâncias, alguém que trouxesse frescura, uma visão diferente da que nós tínhamos, com ideias muito criativas e ao mesmo tempo fiéis aos valores da marca. Foi quando nasceu o Universo 212.

O perfume CH Carolina Herrera tem a assinatura da sua filha quer a nível olfactivo quer do design do frasco e cartonagem. Para o criar, Carolina afirma ter-se “inspirado nos jardins da sua infância”, “ser o perfume dos seus sonhos, o resumo de toda a sua vida”. Estas recordações foram passadas a Olivier Cresp de uma forma inequívoca. Como viveu esta experiência de Carolina Herrera Jr?

Confiei sempre no critério da Carolina em saber transmitir as suas memórias, sensações de infância, a alguém como o Olivier Cresp, que soube convertê-las em essências. Creio, sinceramente, que fizeram um excelente trabalho e estou convicta de que veremos muito em breve os seus frutos.

O ano de 2008 assinalou os 20 anos da primeira fragrância – Carolina Herrera. Fale-nos dessa época. Do encontro com Carlos Benaim, dos dois anos partilhados em busca da fragrância ideal – um floral que se transformou num clássico da perfumaria. Como foi aceite pelo público?

Eu queria que o meu primeiro perfume fosse um reflexo de mim própria, das minhas memórias, do jasmim da minha Venezuela natal, da minha infância. Deveria ser um perfume único e muito pessoal. Como tal, creio que agradou ao público, que viu nele Carolina Herrera, a estilista, e era fiel ao seu carácter forte e apaixonado.

Pensa que os perfumes são determinados pelo ar dos tempos, isto é, sofrem influências económicas, políticas e sociais?

Creio que têm muito que ver com a sociedade na qual devem conviver; há os perfumes intemporais, que sobrevivem no tempo; há os perfumes que estão na moda, os sazonais. Acredito que o mais importante é que reflictam e transmitam os valores que pretendam representar.

Arte e perfumes. Dois mundos indissociáveis, creio. Terá sido essa a ideia-base para passar a álbum a história das fragrâncias Carolina Herrera, associando-as aos esboços de moda assinados por Mats Gustafson?

Trabalhar com este artista permitiu-nos reflectir sobre o facto de que ambas obras de arte, neste caso, a ilustração e o perfume, são simultaneamente clássicas e intemporais.

Mulher, mãe, Haute Couture, perfumes. Tem alguma meta ou sonho a atingir?

Creio que devemos viver o dia-a-dia, desfrutar do que temos, família, amigos e trabalho.

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