Capa do Livro editado pela Taschen.

Capa do Livro editado pela Taschen.

Dita von Teese recebe-nos impecavelmente apresentada. Traz um bem comportado vestido de padrão floral em que predominam o branco e o fúchsia e saltos muito altos. A pele é branquíssima, como sempre. O bâton tem o mesmo tom das flores do vestido e os olhos minuciosamente delineados ganham um encanto especial com um par de pestanas postiças densas e sedosas. Dita von Teese parece saída das páginas de uma Vogue francesa dos anos 40. E nenhum detalhe lhe escapa.

Parece tímida. Os olhos desviam-se sempre que são apanhados de surpresa, como se temessem ser invadidos. Esta é uma mulher cautelosa mas, à medida que começa a falar, baixa a guarda, deixa-se embarcar na sua fantasia, e leva-nos com ela, revelando-se uma mulher mais complexa do que faz supor à primeira vista e totalmente apaixonada pelo que faz. Eis aí o seu segredo!

Fomos a Madrid conhecê-la. Embaixadora da Cointreau, a rainha do moderno Burlesco foi à capital espanhola preparar um cocktail especial. Valeu a pena! Cheers!

Trouxe uma nova vida ao Burlesco, um respeito e uma aceitação que, se calhar, este género artístico nunca teve. A que acha que isso se deve?

Ao ver os meus fãs passarem lentamente de serem maioritariamente homens, para serem na sua maioria mulheres, comecei a pensar na mensagem que estava a passar sem dar-me conta e a tentar perceber este fenómeno, uma vez que, à primeira vista, não fazia sentido. Fez-me pensar no significado do que eu faço para as pessoas e para mim própria. Há cerca de 10 anos, quando comecei a falar com os meus fãs, percebi que o que os atraía não era a questão de ver uma mulher tirar a roupa. Eu passava uma mensagem de autoconfiança sexual, de qualidade sexual, e de viver daquilo de que realmente gosto de fazer. E o que eu faço não tem apenas a ver com o estar no palco. Tem a ver com toda a concepção do espectáculo.

O sentido de estética é muito forte no seu trabalho. Conta com alguém para cuidar do seu espectáculo (coreografias e guarda-roupas) e da sua imagem?

Sou uma criação de mim própria. Faço tudo sozinha e acho isso importante: dá-me prazer. Apesar de ter especialistas em cabelos e maquilhagem que gostariam de trabalhar para mim de graça, eu não os quero. Penso que é importante mostrar às outras mulheres que elas também são capazes de cuidar de si sozinhas. Hoje, por exemplo, não tive ninguém para me preparar para as entrevistas e para a apresentação que vou fazer à noite. Quando crio os meus espectáculos, cuido também de tudo: da iluminação, da música, das roupas. São escolhas muito pessoais para mim. Invisto em mim a todos os níveis e, portanto, não se trata apenas das cortinas subirem e de estar lá uma rapariga a interpretar qualquer coisa concebida por outra pessoa. Tudo o que diz respeito ao que é exibido é criado por mim, é parte de mim, da minha alma. Assim, é difícil não tomar pessoalmente quando alguém diz que não gosta [risos]. Levou-me algum tempo para perceber que as pessoas pensavam que havia uma equipa a trabalhar para mim, a dizer o que tenho de fazer e como. Historicamente, o Burlesco, nos anos 40, também tinha a ver com isso. Estrelas como Gipsy Rose Lee e Lili St. Cyr criaram sozinhas a sua persona e os seus espectáculos. Eram mulheres de negócios e criativas. Isto é uma das coisas de que gosto no Burlesco em oposição a ser apenas uma actriz, uma showgirl ou uma popstar. Há poucas estrelas pop que tenham alguma coisa a ver com a forma como os seus vídeos de música são feitos e como resultam no final. Muito poucas mesmo.

O que é que a inspira? Estuda, lê para além da história do Burlesco?

Leio imenso. Gosto muito de autobiografias, de ouvir as pessoas a contar a sua história, e imaginar como era. Gosto de ler sobre showgirls e cortesãs, mulheres que eram entertainers. Gosto de imaginar como tudo se passava nas suas cabeças. Isto inspira-me muito. Os filmes também. Claro que o autêntico e clássico Burlesco também me inspira, mas penso sempre como posso trazer estas ideias para o tempo presente, como posso reinventá-lo. Ponho-me a pensar como o tornar mais relevante agora, como posso elevá-lo a um nível técnico diferente do que alguma vez teve no passado, com a ajuda da tecnologia moderna.

Este é um processo solitário?

Tenho amigos criativos com quem troco ideias. É o caso de Catherine Delish, uma amiga e antiga colega de Burlesco. Ela desenhou o guarda-roupa do espectáculo que criei para a Cointreau. Conversávamos sobre as ideias, o conceito, a música a serem usados. Trabalhei imenso com ela. Outro amigo é Ali Mahdavi, que fotografou boa parte da campanha da Cointreau. Ele é criativo e conversamos muito sobre ideias que eu tinha. O que faço é consultar pessoas que penso que entendem o que estou a tentar fazer.

Tem uma relação estreita com o mundo da moda...

O elemento da moda sempre foi importante para mim. Historicamente, as minhas estrelas favoritas do Burlesco foram conhecidas pelo seu sentido de estilo. As pessoas pensam: “Como é que pode ser conhecida pelas suas roupas quando o que faz é tirá-las?” Mas é preciso ter algo para tirar para tornar o acto mais interessante. É preciso começar com alguma coisa. Ninguém liga para uma rapariga nua num palco. É possível ver isso em qualquer lugar. Acho que é importante criar uma fantasia. E a moda tem tudo a ver com fantasia, com vestir-se para ser o que se deseja ser.

Quais os seus criadores de moda preferidos?

Gosto de Elli Saab, que criou algumas peças de roupa para os meus espectáculos. Gosto também de Christian Dior. Visto muito Jean Paul Gaultier e Moschino também.

O que têm estes criadores que a atraem?

Todos têm sentido de humor, sentido de extravagância, tocam áreas que eu adoro e também têm uma forma de ver o velho glamour de Hollywood e as mulheres que me agrada muito.

É uma sedutora por natureza? Este é um jogo que gosta de jogar todo o tempo ou tem a ver apenas com o palco?

Não é que eu seja diferente no palco, mas nunca diria que sou uma sedutora por natureza fora do palco. Nunca fui este tipo de mulher que você não pode deixar sozinha com o seu namorado ou marido. Não sou assim. Sou de uma certa forma tímida a este nível. Sinto que o palco é o meu espaço, onde sei o que estou a fazer. E nem sinto que tento seduzir o público, o que tento é envolvê-lo na minha fantasia, no meu sonho. É como convidar a todos: “Querem vir comigo a este lugar fantástico que eu construí?”

O que diria para as mulheres que gostariam de se sentir mais sensuais e glamourosas?

Sempre senti que no que eu fazia não estava a tentar atrair os homens. Na realidade, muitas das escolhas que fiz em relação ao que vestir ou como me apresentar – por exemplo, pinto o meu cabelo louro de preto – não foram a pensar nos homens, para parecer sexy aos seus olhos. A maior parte dos homens que tive na vida, especialmente quando era mais nova, reagiam sempre às minhas escolhas: “Isto é demasiado! Vais sair assim, com esse cabelo ou essa maquilhagem? Toda a gente vai ficar a olhar!” E mesmo agora penso que se o meu namorado perguntasse se eu vestia uma farda de estudante e punha uns totós para lhe agradar, eu diria: “Nem pensar!” Tenho de vestir o que me faz sentir sexy. Interpretar papéis na intimidade pode ser divertido, mas no fundo as mulheres devem usar o que as faz sentir sensuais, seja um bâton vermelho com lingerie preta e saltos altos seja uns jeans com uma T-shirt sem maquilhagem. O importante é sentir-se bem. Desta forma conseguirão seduzir quem quiserem. Se ficarem muito preocupadas em pôr-se sensuais para um homem, deitam a perder toda a ideia do que é ser sexy.

O seu corpo está em equilíbrio. Não tem curvas a mais nem músculos a mais. O que é que faz para o manter?

Faço ioga, Pilates e ballet. Não faço dieta, como apenas com cuidado. Quando tenho o peso acima do que é o costume, como pequenas quantidades de comida várias vezes ao longo do dia. Adoro comer e fazer grandes refeições, mas disciplino-me para não comer em demasia. Conheço mulheres que fazem dietas muito restritivas, mas não gosto de viver assim. Acho que a uma certa altura temos de aceitar o corpo que temos e quem somos, e gozar a vida. Não consigo entender sacrificar tudo em favor da aparência.

Mas o seu corpo é o seu meio de vida.

Tenho sorte. Herdei as minhas formas da minha mãe. Mas sempre digo que o outro segredo para ter um corpo perfeito é ter uma excelente iluminação. Se tem uma boa iluminação no quarto terá um corpo fantástico [risos]. Já vi supermodelos e pessoas reconhecidas pela beleza do seu corpo que com uma iluminação má não se safaram. Não há corpo que fique bem sob uma má luz.

E como mantém a sua pele lisa e alvíssima?

Ninguém gostará de ouvir isso, mas é simples: nada de sol e de cigarros. Não há truques. Vejo jovens mulheres expostas ao sol em busca de um bronzeado a todo o custo e é fácil ver como vão ficar no futuro. Não há mal em bronzear a pele, mas é preciso fazê-lo com todo o cuidado.

E tem rotinas de beleza?

Não especialmente. Eu sou do tipo faça você mesma. Gosto de tomar banhos agradáveis e de frequentar spas coreanos. Em Los Angeles há imensos e muitos ficam abertos toda a noite. São fantásticos.

Que perfume usa?

Passage nº 4, da Christian Dior. Na verdade há três diferentes – Passage nº 4, nº 8 e nº 9 – e uso-os bastante. É uma essência de rosa com especiarias.

E qual o seu cocktail preferido?

Estou a ficar mesmo boa em preparar cocktails! A Cointreau, marca da qual sou embaixadora, criou um especialmente para mim – o Cointreau Teese – e sei prepará-lo muito bem. Assim como sei preparar o Cointreaupolitan, que vou preparar esta noite. Sei ainda preparar Sidecars e Margueritas. Adoro servi-los aos meus amigos em casa e deixá-los impressionados. Gosto do sabor e também do seu aspecto.

Cointreau Teese

Experimente a bebida criada para Dita:

1 ½ cl de Cointreau ¾ cl de sumo de maçã ½ cl de xarope de violeta ½ cl de sumo de limão

www.maxima.pt