É o fim do mito “Eles só pensam a partir da cintura para baixo”.

É o fim do mito “Eles só pensam a partir da cintura para baixo”.

Os homens apaixonam-se com frequência. É o fim do mito “Eles só pensam a partir da cintura para baixo”. E as mulheres fazem amor sem se preocupar com os afectos. É o fim do mito “Elas querem é casar e ser mães de família”. No século XXI, os sexos ficaram mais próximos. Os homens começam a não ter problemas em mostrar-se sensíveis, românticos e pais presentes. Do lado feminino, as conversas sobre a vida privada saíram do armário e são expostas em revistas, filmes, blogues eróticos e de diários íntimos. Apesar de uns e outros se assemelharem em matéria de condutas, tal não transparece nos inquéritos sexuais europeus. As sondagens mostram contradições abissais entre o que os dois sexos dizem fazer na intimidade. Será que mentem? E se sim, porquê? A tese de que as pessoas mentem porque, mesmo anonimamente, não gostam de revelar toda a verdade sobre os seus assuntos íntimos permanece válida. Outros analistas dizem que as pessoas tendem a responder como é socialmente desejável

Prioridade aos cavalheiros

A avaliar pelas respostas dos 400 portugueses inquiridos numa sondagem mundial da revista Men’s Health sobre estilos de vida masculinos, eles conseguem fazer 32 abdominais por minuto, tiveram mais de duas parceiras num ano e fizeram amor mais de três vezes por semana. Portugal confirma a tendência global: eles querem ser “o máximo” (um animal sexual e em forma). Ou parecê-lo. A tese de doutoramento do psicólogo Pedro Nobre sobre os comportamentos sexuais dos portugueses concluiu que mais de metade dos homens afirmava ter dificuldades na vida sexual (no caso das mulheres, eram ainda mais evidentes as queixas).

Agora as senhoras

O estudo do Instituto de Ciências Sociais mostra que elas afirmam ter menos parceiros que eles (a confirmar a tendência mundial). O arquétipo da dama pudica e do cavalheiro conquistador ainda é válido? O sociólogo americano Arthur Stinchcombe admite que o cerne da questão está na leitura que uns e outros fazem – existem diferenças de género sobre o que se entende por orgasmo masculino, penetração e excitação sexual. Homens e mulheres teriam, por isso, formas de contagem distintas do que é um “parceiro”. Depois, muito boa gente molda as circunstâncias para não ficar fora de jogo. A pressão social e mediática para ter mais e melhor sexo convidam a que se peque por excesso ou omissão de detalhes da biografia íntima. Aprende-se que mentir é feio e pode transformar a vida num inferno. Mas é disso que se fala nos filmes e nos encontros de corredor.

Sexo e mentira são dois frutos apetecidos

Um escritor aventurou-se no universo virtual com a intenção de explorar as emoções e os afectos de quem encontrava. Fernando Esteves Pinto escreveu "Sexo entre Mentiras" (Editora Ibérica): “O livro está povoado de emoções biográficas.” As falsas verdades entram em cena, pois “ninguém admite falhar, todos querem representar bem o seu papel quando se trata de sexo”. O autor diz que a mentira faz parte do nosso código de sobrevivência porque protege os relacionamentos, mas mesmo quando nunca se é apanhado, traz alguns amargos de boca. Mentir é “projectar uma virtude que não se possui, tomar por real aquilo que não passa de uma farsa”.

Representar um papel que vai contra o que se sente ou se é na intimidade pode ser um mecanismo de defesa destrutivo a prazo, mas continua a ser uma estratégia de cativar o outro. No caso da infidelidade não consentida, a mentira é um bálsamo que poupa dissabores à pessoa querida e aos familiares. Segundo a terapeuta familiar Catarina Rivero, as relações extra-conjugais que possam ter existido numa fase crítica do casamento ou no pós-divórcio propiciam a omissão ou até a negação de factos: “Muitos casais optam por fazê-lo para proteger a sua imagem e a do outro perante as famílias de origem e os filhos.”

A verdade da mentira

Por que mentimos?

Defesa da harmonia social  

Medo da perda

Insegurança pessoal

Vício ou hábito

Falta de ética

Perturbações de identidade

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