Há quem exagere nos números, há quem os omita.

Há quem exagere nos números, há quem os omita.

Estimular as atenções do homem que se pretende conquistar tem a sua ciência. Além dos cuidados corporais intensivos, do fortalecimento do diálogo, convém dominar uma aritmética nova, própria dos nossos tempos de liberdade sexual. Nada do outro mundo. Os cálculos são simples e acessíveis a todas as cabeças. As reacções é que poderão ser complexas. Concretamente, trata-se de perguntas banais que os homens gostam de nos fazer como quem não quer a coisa: Qual a medida do teu soutien? Em que idade é que perdeste a virgindade? Qual é o número dos teus jeans? Quantos amantes tiveste? O inquérito não é transcendente. E, se não fosse a última questão, a que gera turbulências, nem sequer se levantaria uma equação problemática. Elas deitam contas aos seus poderes de sedução e respondem consoante os interesses. Há as que multiplicam as aventuras, as que dividem o número de amantes, as que ficam baralhadas e tentam esconder o passado como se fosse um tesouro. No fundo, tudo se reduz a um número que, mais ou menos aldrabado, acaba por pesar na relação. Mas será que o currículo sexual de uma mulher tem um papel importante num cenário de conquista?

Muitas acham que um número elevado as torna mais belas e desejadas. Fantasias.A realidade é bem diferente. Segundo a psicóloga Antonieta Pinto, numa relação pontual, pouco se aprende. “Ao passo que numa duradoura, onde se instala confiança, há oportunidade de se explorarem as potencialidades sexuais de cada um. O importante é assumir a nossa sexualidade. Pois uma mulher pode ter tido dois amantes e ser cheia de imaginação, e outra, um currículo fantástico, e continuar insatisfeita ou pouco criativa.”Entre as que mentem, Sofia, de 31 anos, opta pela subtracção: “Quando um homem me pergunta o número de amantes digo sempre sete. É mais forte que eu. Os cálculos têm a sua lógica: subtraio os amantes de uma noite e aqueles que tive algum tempo, sem ter dado conta que não me interessavam. Conto apenas com os dois homens que amei e com aqueles com quem idealizei um pequeno futuro. O resto é palha. Para ser franca, tive 17. Porém, esta quantidade não corresponde à qualidade. Ao contrário de muitos homens que conheço, não me interessa o número real das relações sexuais, visto que não traduz o meu verdadeiro eu. Na realidade, sou mais romântica que sexual. Que interessa contabilizar histórias sem importância? Nada. Por isso faço por esquecê-las.”

A sua amiga Sandra, arquitecta, mente para se valorizar. “Foi quando me lancei em aventuras ligeiras que senti necessidade de aldrabar. No atelier onde estagiei, conheci um advogado fantástico: belo, arrogante, importante, boa educação e apartamento magnífico. Percebi logo que tinha de estar à altura do seu interesse. Para ele, inventei um passado erótico e passional. A farsa funcionou tão bem que, durante três meses, vivemos de ardores libidinosos e exaltações voluptuosas. Com os amantes seguintes, o mesmo esquema – sexo, álcool e mentiras. Até parecia que andava voltada do avesso. Depois, falhadas as relações, caí num embrutecimento, numa depressão.”Ao consultar um psiquiatra, Sandra compreendeu as razões do seu comportamento. “Quis mostrar o que não era – uma mulher libertina. E porquê? Porque pensava que uma bela colecção de amantes me valorizava. Ao estimular o desejo desses homens, estava a estimular-me como pessoa. Agora, que tenho um namorado à séria, noto que não é necessário inventar histórias para me afirmar. Ele gosta de mim como sou e eu vivo mais tranquila.”

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