O corpo e a sexualidade

O corpo e a sexualidade

À partida, quando gostamos de nós próprios, nos apreciamos e sentimos seguras, temos melhor auto-estima e autoconfiança, também estamos mais predispostos ao relacionamento social e ainda mais receptivos à intimidade com o outro. Resta saber em que medida a aceitação do nosso corpo – não interessa se com uns quilinhos a mais ou a menos, mais flácido ou mais tonificado – pesa nesta equação. Tentamos fazer luz sobre o assunto, através de uma pequena entrevista com a sexóloga Marta Crawford. Quem se sente bem com o corpo está mais disponível para o sexo?

Podemos dizer que para haver sexualidade é preciso haver um corpo?É preciso um corpo mas também uma cabeça porque o sexo é muito de cabeça também. A pessoa pode viver a sexualidade de uma forma imaginada, mas mesmo essa fantasia reflecte-se no corpo, nas sensações que tem em termos corporais. No fundo, a recorrência à fantasia promove fisicamente um estado qualquer que nos é agradável – de excitação e de bem-estar – que despoleta alterações físicas como a excitação e a lubrificação. Acontece o mesmo quando se faz sexo virtual: não há corpos a juntarem-se mas há a reacção corporal que se está a sentir.

Uma mulher contente com o seu corpo é uma mulher mais segura na intimidade? Pode ser ou não, pois não é só o corpo que nos faz estar bem no sexo. Há outros factores presentes, que têm a ver com o que se sente pelo outro e com a nossa própria educação. Há mulheres gordinhas que não são propriamente ‘o modelo de mulher ideal’ e que têm uma sexualidade divinal. Há outras lindíssimas, com um corpo espectacular, que até estão bem com o seu corpo e que sexualmente não têm prazer. A pessoa até pode ser muito bonita, as pessoas dizerem-lhe, e a pessoa não se ver como os outros a vêem. Porque o facto de a pessoa se sentir bem com o corpo não significa bom sexo ou disponibilidade para o sexo. Mas, de facto, há mulheres que se sentem mal com o seu corpo e isso tem um impacto na sua sexualidade – não se sentem atraentes, pelo que não têm disponibilidade para o sexo.

A auto-imagem é um dos factores para uma vida sexual satisfatória? É importante, mas não é o essencial. É importante que a pessoa se sinta bem consigo para se sentir bem com os outros, mas isso não quer dizer que se traduza directamente no sexo. Ou seja, sinto-me bem comigo, sinto-me bem com os  outros, logo o sexo é maravilhoso. Não é assim. Mais uma vez lá está o que ficou dito: estar na sexualidade tem a ver com a educação e com a forma como a relação com o outro se proporciona.

Para além do corpo

O que dizem os estudos:

1. Amor e sexo envolvem zonas do cérebro distintas.

2. O amor (afecto) activa o hemisfério direito do cérebro (emoções)

3. A atracção física (visual) acontece no hemisfério esquerdo (intelectual)

4. Relações sexuais felizes optimizam o nível de auto-estima

5. As relações esporádicas são geradoras de ansiedade e insegurança

6. De qualquer forma, o amor fica sempre a ganhar. Tem mais poder do que o impulso sexual

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