Existem várias formas de evitar a contracepção.

Existem várias formas de evitar a contracepção.

Todos os meses, após a menarca – a primeira menstruação –, os ovários libertam um óvulo, o qual inicia um percurso descendente desde as trompas de Falópio até ao útero. Se ao longo desta trajectória a pequena célula encontrar um espermatozóide, ocorre a fecundação. O óvulo fecundado aloja-se na parede uterina (endométrio) que, entretanto, já se vinha preparando para receber o novo ovo – dá-se a nidação. Mas se a fecundação não ocorrer, o óvulo continuará o seu curso até ser expulso do corpo, juntamente com as escamações da parede do endométrio e com a ajuda do fluxo de sangue, dando lugar à menstruação. Para evitar a fecundação, existem vários métodos contraceptivos. Uns são definitivos, como a laqueação das trompas na mulher, outros reversíveis. Há os métodos de barreira que impedem o encontro do espermatozóide com o óvulo. E há a contracepção hormonal que, inibindo a ovulação, impede a fecundação.

Estudos revelam que a pílula combinada é o método (hormonal) mais usado entre as mulheres portuguesas. Altamente fiável quando utilizado correctamente, a sua popularização poderá ficar a dever-se a muitos outros factores. “Nomeadamente, ao papel das consultas de planeamento familiar, em que a pílula não é apenas o método mais divulgado como aquele que tem vindo a ser cedido de forma gratuita”, diz o medico ginecologista Daniel Pereira da Silva. “As portuguesas já se habituaram a tomar a pílula, já sabem como se faz. Não mudar não tem de ser necessariamente mau! Actualmente, e na generalidade dos casos, as pílulas são muito bem equilibradas e permitem um óptimo controlo – as taxas de falhanço são muito baixas.”

Mas as opções em termos de contracepção hormonal são cada vez mais. O adesivo transdérmico e o anel vaginal são duas grandes inovações a este nível, por exemplo. “Ambos têm o mesmo princípio e são muito eficazes”, assegura Daniel Pereira da Silva. “A forma de utilizar cada um deles é que difere. Enquanto que com o sistema transdérmico a aplicação é semanal, com o sistema intra-vaginal é mensal.” Ambos os métodos implicam uma semana de descanso, altura em que ocorre o período menstrual.Segundo o ginecologista, ambos são adequados para mulheres para quem tomar um comprimido todos os dias “possa representar uma carga acrescida, ou para as que, sofrendo de alguma patologia concreta, já são obrigadas a tomar vários medicamentos diariamente”.O que há de novo em termos de contracepção, quais as potencialidades destas novas vias, quais as vantagens das doses mais baixas e das novas moléculas – que foram e estão a ser introduzidas no mercado – são, actualmente, as grandes linhas da contracepção. Dentro destes novos métodos, o anel vaginal parece reunir maior consenso no sentido de poder vir a tornar-se a contracepção do futuro: é eficaz, é fácil de aplicar e tem menos efeitos secundários. No entanto, Daniel Pereira da Silva lembra que a contracepção deverá ser, sempre, uma escolha pessoal. Uma opção de cada mulher, em consenso com o seu médico, que levará em linha de conta o seu perfil clínico.

“ As escolhas personalizadas são as que permitem melhores resultados a todos os níveis, quer em termos de eficácia quer na redução dos efeitos colaterais do contraceptivo, que é algo que ninguém deseja.”O adesivo e o anel vaginal, à semelhança da pílula, são contraceptivos hormonais combinados. Ou seja, compostos de estrogénios e progestagénio, e que podem estar na origem de alguns efeitos secundários – tais como pequenas perdas de sangue a meio do ciclo, dores de cabeça, náuseas e inchaço do peito. O preservativo, o diafragma, os espermicidas e o dispositivo intra-uterino são outros dos recursos contraceptivos no mercado.Métodos contraceptivos não faltam, portanto. Importa escolher o mais correcto, pois segundo Daniel Pereira da Silva, o grande problema em termos de contracepção continua a ocorrer em mulheres perimenopáusicas e em adolescentes.

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