Bater mais depressa é uma das formas que o coração tem para dizer que algo não está bem.

Bater mais depressa é uma das formas que o coração tem para dizer que algo não está bem.

Bater mais depressa é uma das formas que o coração tem para dizer que algo não está bem – a doença chama-se arritmia. Mas há outras, como a cardiopatia isquémica (a angina de peito e o enfarte agudo do miocárdio), a cardiopatia vascular, a insuficiência cardíaca e as cardiopatias congénitas. Um coração saudável bate a um determinado ritmo, dito normal – sinusoidal. Quando esse ritmo se altera sem justificação aparente, entra-se em arritmia cardíaca. Segundo a cardiologista Cristina Dantas Martins, estas podem ser bradiarritmias, quando o coração bate de forma mais lenta, ou taquiarritmias, quando bate de forma mais rápida. “Inicialmente, algumas arritmias não dão sintomas. Mas depois podem surgir tonturas, sensação de desmaio e perdas transitórias de consciência. Em certas situações de arritmia, nomeadamente na taquicardia ventricular, o coração pode parar. Pode desencadear-se uma fribrilhação ventricular e uma paragem cardíaca, em que o coração deixa de bombear o sangue de forma eficaz. Se o doente não for imediatamente reanimado, pode entrar em morte cerebral.”

As cardiopatias isquémicas são patologias frequentes e a principal causa de mortalidade e morbilidade no mundo ocidental. “No entanto, é possível modificar o comportamento da doença através de medicação apropriada, da adopção de um estilo de vida saudável e prevenindo os factores de risco. Isto vai permitir que o doente viva muito mais tempo e com qualidade de vida”, diz a cardiologista. Explica que a angina de peito acontece quando o coração deixa de ser irrigado, devido a obstruções das artérias coronárias. “Então, surgem os sintomas: dor no peito e, por vezes, também sensação de mal-estar e falta de ar, suores e náuseas, e desmaios. O tabagismo, a diabetes, a hipertensão e o colesterol elevado são os principais riscos da doença”, havendo ainda que considerar o peso da história familiar de doença cardiovascular e da idade - à medida que envelhecemos, os órgãos vão-se deteriorando. “A angina de peito não tratada pode culminar em enfarte do miocárdio, a placa que existe ao nível das coronárias rompe-se. Os enfartes mais extensos não levam obrigatoriamente a morte súbita e os menos extensos podem tornar-se mais sérios”, explica Cristina Dantas Martins. “O habitual é a pessoa ter angina e, mais tarde, desencadear um enfarte. No entanto, em algumas pessoas, o enfarte pode ser a primeira manifestação de doença obstrutiva das artérias. É o que acontece mais frequentemente com os diabéticos. Muitas vezes têm doença nas artérias do coração sem queixas de dor.”

A insuficiência cardíaca é uma doença incapacitante, “em que o coração não consegue bombear o sangue a um nível compatível com as necessidades metabólicas do organismo”. As causas podem ser várias: anemia, doenças da tiróide, ingestão abusiva de bebidas alcoólicas, hipertensão arterial não tratada, doenças congénitas e doenças nas válvulas do coração não controladas a tempo, e indivíduos que tenham sofrido enfarte agudo do miocárdio. Manifesta-se por “cansaço excessivo, falta de ar, inchaço dos membros inferiores e aumento do volume abdominal”. As cardiopatias valvulares são enfermidades ao nível das “válvulas que se encontram espessadas e com cálcio”, impedindo que o fluxo sanguíneo passe normalmente.

Finalmente, as cardiopatias congénitas: são doenças que nascem com as pessoas. “Normalmente, são alterações estruturais ao nível das válvulas cardíacas ou comunicações anómalas entre as cavidades do coração”, explica a cardiologista. “Se não forem submetidos a cirurgia correctiva, alguns doentes podem desenvolver insuficiência cardíaca.” Cristina Dantas Martins chama a atenção para a importância de as grávidas serem seguidas ao longo dos meses de gestação.

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